Vamos supor que certo ano da faculdade tive um certo professor chamado Lob Tiger. Primeira coisa que se nota num professor extremamente experiente é a habilidade de, nas palavras do grande Braz, acochambrar. Isso realmente é fascinante. Perde até praquela famosa coleção de livros de física do Halliday. Dividir por dx se torna tão possível que você nem imagina!
"Surge" foi grifado no título pois pra esses tipos de professores, muita coisa surge na física. A força magnética SURGE quando há uma corrente no fio. Quando há variação no campo magnético SURGE um campo elétrico. Surge. Não é física, é mazia.
Nota-se também que alguma outra MAZZZIA acontece depois que um professor como o Lob Tiger está no ramo há mais de 30 anos dando aquela mesma aula entediante. Por mais que ele tenha dito que a tangente é o cateto adjacente sobre o cateto oposto, e não o contrário, ele está correto. Corretíssimo. E é certamente devido ao fato de o ângulo theta possuir uma componente 3d na direção azimutal, sendo assim o angulo complementar daquele cujo cateto adjacente está sobre o eixo y, como explicou o caro Lob Tiger.
Se torna impossível para um professor de Física como o Lob Tiger adimitir que teve um lapso de memória, ou que errou, certamente porque no final as contas estavam dando certo com essa consideração estranha. Mas ele nunca viu que ele errou a integral, e que se o valor da tangente estivesse correto, a resposta também estaria.
Mas isso tudo é passável. Tudo isso é passável e risível. Tem graça, muita graça, ver a tamanha ridiculez de um professor cabeça fechada tentando se explicar pra não adimitir um erro.
O problema é quando isso te afeta diretamente.
Quando ele vai corrigir tua prova, e te tira nota porque você multiplicou uma medida de raio por uma medida de ângulo e considerou isso como sendo medida de arco, quando na verdade é medida de área. "É... r.Ɵ é medida de área viu...é por isso que deu errado a integral, embora a o resultado da sua seja bonito e exato e o meu estranho e estrambólico. r.Ɵ é definitivamente medida de área, e eu sou um asno." Foi assim que disse Lob Tiger.
Enfim, até aí você releva, e tudo isso até tem graça, até tem graça....
Não tem graça é passar dias estudando para uma prova do famosíssimo e ótimo professor Lob Tiger e tirar 2,5.
E depois ter que ouvir: "É Oton, tá precisando de nota hein! Hehehe...".
É Lob Tiger...
A física não tem graça não né...
quarta-feira, 16 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
A Física não tem graça 1 - Legendre e o êxtase matemático
Foreword: odeio os nomes dos físicos. Tava procurando por "Equação de Lagrange" no Google e não entendi lhufas do que vi (pra 90% dos leitores tá escrito o mesmo nome no título e na última frase). Mas enfim, descobri que tinha escrito errado quase a tempo de entender o que era a integral de Euler-Lagrange. Acho que quando nasce um físico, a mãe olha e pensa: "Têm cara de físico...precisa de nome difícil...que tal Schrödinger?".
Argh.
Certamente não há extase em dar nome de físico aos filhos. Mas certamente há êxtase nisso:
Hoje na aula de Física Matemática II aprendi a resolução da equação diferencial de Legendre. Legendre, não Lagrange. A equação era bem bonita, parecia que ia dar tudo certo até o fim do exercício, até que...BAM! A solução diverge em x=1 e em x=-1. Ahhhhhhhh. Cadê o êxtaseeeee? Calma lá caros leitores. A equação era definida por um fator "k" (era lâmbda quando a professora escreveu, mas não sei como escrever lâmbda aqui). E aí que está a "sacada do Legendre", como disse a Hiromi. Ao substituir "k" por "l(l+1)" na equação, a MAZZZZIA aconteceu! O "n" e o "l" se fatoraram e apareceu um LINDO fator "(n-l)". O "n" é um fator que varia de 0 a infinito, e "l" é uma constante. Para os valores de "n" acima de "l", o fator multiplicativo é NULO. NULOOOO. É NULOOOOOOOO, ele e TODO O RESTO DA SOLUÇÃO. E sobra só um polinomiozinho de coco para os fatores de n menores que l. Que, magicamente, NÃO DIVERGE! O l(l+1) foi TUDO! TUDO! É l de Legrange, é l de limitante, é l de LOUCURA!
Eu e o Mateus ficamos imaginando como foi o êxtase do Legendre ao descobrir a solução da equação. Legendre passou um duro dia de trabalho tentando resolver a maldita equação e nada. Então de noite foi jantar com a família, a esposa e a querida filhinha. A mamãe diz pra filhinha: "querida, me passe a lentilha, mas antes pegue mais um pouco...". Dentro da cabeça de Legendre ecoa "letilha, mais um...lentilha, mais um... l(l+1)!!!" l de LENTILHAAAAAAAAAA! E o êxtase se fez.
Eu e senhor Mateus saímos bem felizes da aula. A solução da equação é uma marrevilhe. Eu queria ter sido o Legendre quando ele descobriu a solução! Droga.
Ah...um dia eu ainda me convenço...mas até hoje...
A física não tem graça não. =\
Links:
Equação de Legendre e solução: http://mathworld.wolfram.com/LegendreDifferentialEquation.html (no lugar do n(n+1) estava o k/lâmbda)
Polinômios de Legendre: http://en.wikipedia.org/wiki/Legendre_polynomials
Argh.
Certamente não há extase em dar nome de físico aos filhos. Mas certamente há êxtase nisso:
Hoje na aula de Física Matemática II aprendi a resolução da equação diferencial de Legendre. Legendre, não Lagrange. A equação era bem bonita, parecia que ia dar tudo certo até o fim do exercício, até que...BAM! A solução diverge em x=1 e em x=-1. Ahhhhhhhh. Cadê o êxtaseeeee? Calma lá caros leitores. A equação era definida por um fator "k" (era lâmbda quando a professora escreveu, mas não sei como escrever lâmbda aqui). E aí que está a "sacada do Legendre", como disse a Hiromi. Ao substituir "k" por "l(l+1)" na equação, a MAZZZZIA aconteceu! O "n" e o "l" se fatoraram e apareceu um LINDO fator "(n-l)". O "n" é um fator que varia de 0 a infinito, e "l" é uma constante. Para os valores de "n" acima de "l", o fator multiplicativo é NULO. NULOOOO. É NULOOOOOOOO, ele e TODO O RESTO DA SOLUÇÃO. E sobra só um polinomiozinho de coco para os fatores de n menores que l. Que, magicamente, NÃO DIVERGE! O l(l+1) foi TUDO! TUDO! É l de Legrange, é l de limitante, é l de LOUCURA!
Eu e o Mateus ficamos imaginando como foi o êxtase do Legendre ao descobrir a solução da equação. Legendre passou um duro dia de trabalho tentando resolver a maldita equação e nada. Então de noite foi jantar com a família, a esposa e a querida filhinha. A mamãe diz pra filhinha: "querida, me passe a lentilha, mas antes pegue mais um pouco...". Dentro da cabeça de Legendre ecoa "letilha, mais um...lentilha, mais um... l(l+1)!!!" l de LENTILHAAAAAAAAAA! E o êxtase se fez.
Eu e senhor Mateus saímos bem felizes da aula. A solução da equação é uma marrevilhe. Eu queria ter sido o Legendre quando ele descobriu a solução! Droga.
Ah...um dia eu ainda me convenço...mas até hoje...
A física não tem graça não. =\
Links:
Equação de Legendre e solução: http://mathworld.wolfram.com/LegendreDifferentialEquation.html (no lugar do n(n+1) estava o k/lâmbda)
Polinômios de Legendre: http://en.wikipedia.org/wiki/Legendre_polynomials
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